Era tecnológica: escolas mudam a forma de ensinar

Era tecnológica: escolas mudam a forma de ensinar

Aulas tecnológicas, ambientes amplos e pedagógicos que buscam ser palco para o aprendizado do aluno. É assim, com liberdade para que os estudantes sejam os protagonistas da própria educação que são criados os ambientes Makers, locais onde alunos constroem seu processo de aprendizagem, enquanto professores passam a ser apenas facilitadores de conhecimento. Parece coisa do futuro? Mas não é!

Essa é a ideia da educação Maker, movimento da cultura DIY, que em inglês significa “Do it yourself”, ou, em português, “Faça você mesmo”, que busca impulsionar que pessoas coloquem a “mão na massa” e passem a aprender por conta própria.

Segundo o gerente de Educação Básica do Sesi, Samuel Saibert Siman, muitas vezes o aluno tem alguma dificuldade em trazer o conhecimento que ele adquire, e é ai que entra a educação Maker. "Essa metodologia faz com que esse estudante compreenda determinados assuntos, aplicando-os em sua realidade, o que permite uma absorção maior e mais rápida sobre o tema”.

Exemplificando, pense em uma aula de matemática na qual o aluno deve aprender a calcular a área de um quadrado ou, na disciplina de física, quando ele deve medir a rapidez com que essa forma geométrica se move. Com esse ambiente, ele abandona os infinitos exercícios no papel e passa a fazer esses cálculos utilizando peças de Lego e a robótica, de forma simultânea, em um mesmo local e em grupo.

“Quando o aluno passa a buscar caminhos diferentes para cumprir determinada tarefa com excelência, estão sendo desenvolvidas infinitas habilidades e competências cognitivas. Afinal, não existe mais a receita de bolo pronta. Agora esse estudante deve ser responsável pelo seu aprendizado, podendo chegar a um resultado por exploração de caminhos ainda desconhecidos”, explicou Siman.

A estudante Danielle Teixeira da Cruz, de 16 anos, que cursa o segundo ano do Ensino Médio no Sesi de forma integrada com o curso de eletrotécnica no Senai, gosta dessa nova forma de aprender. “Essa semana o professor chegou em sala de aula e pediu para que montássemos um robô. Ele não explicou nenhum conceito, tampouco nos ensinou a fazê-lo. Quando terminamos a atividade percebemos que o todo o conteúdo que tivemos nas últimas semanas estava ali, na nossa frente”, ressaltou.


Ambientes Makers possuem a tecnologia como aliada:

As pessoas estão ligadas à tecnologia quase que a todo momento e, quando o assunto é sobre o uso dela por crianças e adolescentes, a Pesquisa TIC Kids Online, divulgada em novembro de 2018, mostra que o resultado não é diferente: 93% das crianças e adolescentes brasileiros acessam a internet por meio de celulares.

Baseado nisso, a educação Maker busca utilizar a tecnologia a favor do aluno. Um exemplo é a utilização do Drone Tello em sala de aula, equipamento moderno e atrativo que pode ser inserido durante as aulas de robóticas e de disciplinas de raciocínio exato, mas de uma forma atrativa e estimulante aos alunos.

"Imagina estudar programação com um Drone?! Os alunos adoram! É uma oportunidade de usar um equipamento moderno para aprender conceitos que, quando ensinados apenas de forma teórica, tornam-se mais difíceis e menos atrativos", explica o empresário e especialista no ramo, Cleferson Comarela Barbosa, da VixFly Drones.

O instrutor de elétrica do Senai, Sérgio Fernando Provete, afirma que ao usar softwares em salas de aula, é possível retratar para os estudantes todo o projeto que eles só poderiam ver na prática, gerando maior produtividade e mais satisfação para os alunos. “Os estudantes gostam dessa tecnologia, até porque eles têm a oportunidade de se aprimorarem com inovações que vão encontrar nos postos de trabalho futuramente”, explica.

O diferencial desse estudante que aprende com base no movimento Maker é que ele sai da escola preparado para a  Indústria 4.0. Mas, Provete ressalta que o caminho da qualificação e a busca por novas tecnologias não têm fim. “Essa indústria requer profissionais proativos que estejam em constante busca de qualificação e inovação, por isso temos que acompanhar toda essa tecnologia que permeia nossa realidade. E, caso ele não queira participar dessa mudança, infelizmente, estará fora”, conclui.